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Frutos da Carne, Mente e Espírito

    “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2)

Um assunto de grande importância no meio cristão é referente ao tema de santificação do ser humano, ainda que em meio a um mundo que “jaz no maligno” (1Jo.5:19). A Bíblia admoesta claramente a andarmos separados das concupiscências da carne a fim de sermos separados como um povo escolhido e eleito do Senhor, como estrelas brilhando em meio a um mundo de perdição. Por isso, o cristão definitivamente não pode conviver com o pecado:

 “Para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida” (Filipenses 2:14,15)

“Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna” (Gálatas 6:8)

 “E revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade” (Efésios 4:24)

“Que ele fortaleça os seus corações para serem irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos” (1 Tessalonicenses 3:13)

“Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade” (1 Tessalonicenses 4:7)

“Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” (2 Coríntios 7:1)

 “Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa” (1 Tessalonicenses 4:4)

 “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14)

“Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa” (2Pedro 3:11)

 “Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna” (Romanos 6:22)

“Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem” (1 Pedro 1:15)

“Assim como vocês ofereceram os membros dos seus corpos em escravidão à impureza e à maldade que leva à maldade, ofereçam-nos agora em escravidão à justiça que leva à santidade” (Romanos 6:19)

A Bíblia é muito clara em dizer que “sem santidade ninguém verá ao Senhor” (Hb.12;14) e, de fato, creio que todo o verdadeiro cristão já esteja plenamente ciente do fruto do pecado e suas conseqüências mortais.

“Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:21-24)

A partir deste texto escrito por Paulo, vemos como o homem foi transformado em um ser naturalmente mal, mas mesmo assim é recebido e aceito por Deus que, pela a Sua Graça, nos perdoa e nos faz “justos” diante Dele, não por nossos próprios méritos, mas sim mediante o sangue de Cristo que agora “nos purifica de todo o pecado” (1Jo.1:7).

O pecado significa separação – a separação que o homem teve em relação a Deus, logo na criação e que vai até os dias de hoje, especialmente sobre aqueles que seguem os desejos libertinos da carne. Ironicamente, “santidade” também significa “separação”, mas a separação que o homem deve ter para Deus. Assim vemos que o pecado é a separação de Deus, e a santidade é a separação para Deus.

Ora, se houve uma separação, então se presume que, em algum momento, o homem esteve junto de Deus. De fato, para entendermos o pecado devemos primeiramente regressar ao início de tudo, ou senão todo o sentido se perde. O homem foi criado com livre-arbítrio, capaz de escolher livremente entre amar a Deus ou odiá-lo, entre obedecê-lo ou não. A grande maioria das coisas nas quais o ser humano desfrutava antes da Queda (de Adão e Eva no Jardim) é uma figura do que acontecerá por ocasião da ressurreição, quando ganharemos um “corpo espiritual” (1Co.15:44), isto é, um corpo que, embora físico (Lc.24:39) e material (Jo.5:28,29), é guiado pelo Espírito que permanece, e não pela carne que perece; tem como próprio desejo agradar o Espírito e não a carne e é controlado pelo Espírito e não pela carne.

Uma prova muito forte disso se vê quando, no Jardim, apenas depois da Queda que Adão e Eva perceberam que estavam nus e sentiram vergonha de si mesmos. Isso nos mostra que os desejos libertinos e pecaminosos da carne não estavam ainda em sua plena atividade – o homem antes disso era controlado pelo Espírito, e não pela carne. De fato, podemos perfeitamente dizer, e sem medo de errar, que a própria carne era algo que tinha o desejo de agradar a Deus. Com a Queda, os seres humanos deixaram de serem naturalmente bons e passaram a ser naturalmente ruins, ou seja, a nossa carne (natureza) foi marcada pelo pecado (i.e, separação) em relação a Deus.

Disso resultou toda uma desvalorização do ser humano sobre o que significa a santidade e o temor a Deus, e também naturalmente a perversidade foi aumentando gradativamente mais. Nem mesmo o Dilúvio ou a destruição de Sodoma e Gomorra conseguiram barrar esse quadro. A natureza do ser humano passou a ser tão carnal, que o próprio homem se tornou refém dele mesmo, isto é, da carne que habita nele e que, de certo modo, é ele! Sempre é bom voltarmos ao quadro da criação antes da Queda para compreendermos que, apesar do Deus onisciente saber que o pecado entraria no mundo, não era de sua intenção inicial que o homem já fosse naturalmente mau.

A maldade, o pecado, nos afastou de Deus, e, deste modo, destituídos estamos da Sua Glória. O livre-arbítrio do homem foi usado de maneira errada para contribuir para a Queda; o pecado do homem foi o que causou a sua separação de Deus e a separação de Deus foi o que causou uma natureza pecaminosa, naturalmente má. Porque Deus é o único que é naturalmente bom, e, portanto, tudo aquilo que está separado dele (como é o nosso caso – Rm.2:23) deve-se  ser naturalmente mal.

Quando chamaram Jesus de “bom”, ele respondeu dizendo que somente Deus é bom (Lc.18:19). Isso nos mostra que não é possível que a natureza humana seja “boa”, pois deve conter algo que seja inclinado para o mal. Embora este quadro seja plenamente removido na vida futura, enquanto estamos no tempo chamado “hoje” temos que aprender a conviver com isso. Aprender sim, mas nos conformarmos jamais!

“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2)

Aprender significa exatamente instruir-se, receber determinada instrução. Se você não se instrui acerca de determinado tema, o que já era difícil torna-se inconcebível alguma tentativa de sucesso. O texto base deste estudo não poderia ser outro senão o texto em que Paulo aborda bem o contraste nítido entre carne, mente e Espírito:

Romanos 7

  • 14 Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.
  • 15 Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço.
  • 16 E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.
  • 17 Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.
  • 18 Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está.
  • 19 Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.
  • 20 Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.
  • 21 Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo.
  • 22 Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
  • 23 mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei da minha mente, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros.
  • 24 Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
  • 25 Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com a mente sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.

A questão do pecado é tão séria, que nem mesmo o nosso grande apóstolo Paulo estava isento de tal luta interior. Nestes versos fica muito evidente o contraste existente entre a mente, a carne e o Espírito (Santo). Tentaremos definir cada um deles:

 

Carne – Naturalmente pecaminosa como fruto da Queda, mas na vida futura se transformará para um “corpo espiritual” àqueles que creem, passando de algo naturalmente ruim para algo naturalmente bom. Enquanto, contudo, vivemos aqui, estamos sob a carne que naturalmente é inimiga de Deus e não pode se submeter a Ele (Rm.8:7). Pode, no máximo, ser enfraquecida pelo Espírito Santo que nos ajuda, tendo que ser morta (Ef.4:22).

“Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado” (Romanos 6:6)

“Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas” (Colossenses 3:9)

“Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos” (Efésios 4:22)

A carne não se converte, mas morre na cruz! Ela não pode deixar de ser má para ser boa enquanto ainda vivemos neste presente tabernáculo. A carne é “inimiga de Deus, pois não se sujeita a lei de Deus, e nem pode fazê-lo” (Rm.8:7). Embora a carne sempre seja naturalmente má, nós podemos, com a ajuda do Espírito Santo, enfraquece-la, sujeita-la, dominá-la, controla-la. Nós podemos sair do domínio da carne a fim de estarmos sobre o domínio de Deus, tendo controle sobre a carne e não sendo controlado por ela.

 

Mente – Naturalmente neutra por causa do livre-arbítrio concedido por Deus tanto antes como depois da Queda (como também aos anjos), liberdade essa que muitas vezes nos leva a tomar decisões erradas (como foi no Jardim do Éden), que pode desejar agradar a Deus – “mente espiritual” (Rm.8:5), ou desagradá-Lo – “mente carnal” (Rm.8:7).

“na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8:21-23 RC)

A carne é decaída por causa do Pecado, mas a mente é livre por causa do Livre-arbítrio. Por isso, você pode ter uma mente carnal (Rm.8:7), ou uma mente espiritual (Rm.8:5). Se você tiver uma mente espiritual, existe a luta diária contra a carne, que sempre será inimiga de Deus e não pode se submeter à Sua Lei (Rm.8:7).

 

Espírito – Enviado aos santos de acordo com a vontade de Deus a fim de ajudar os que querem e desejam vencer o pecado (i.e, aqueles que têm uma mente espiritual), nos auxiliando em nossas fraquezas (Rm.8:26). O Espírito Santo coopera conosco, mas sempre temos que lembrar quem é o elefante e quem é o ratinho da história, a fim de não cairmos no pecado da soberba ou do orgulho como se estivéssemos em pé por nós mesmos. Por nós mesmos, não conseguimos abalar ponte nenhuma, mas a Graça de Deus em nossas vidas nos dá forças para, dependendo dos casos, abalarmos muitas pontes.

“Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossas fraquezas” (Romanos 8:26)

“Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor!” (Romanos 7:24,25)

“Porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8:2)

“Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão” (Romanos 8:13)

Na medida em que buscamos a Deus, agradamos o Espírito (Ef.4:30), e este vai progressivamente e objetivamente matando a carne, chegando ao ponto em que o que brilhava antes não brilha mais tanto assim, o pecado perde o seu valor e um ódio a ele toma lugar dentro de si mesmo, que é liberto graças a Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm.7:25).

    “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2) Um assunto de grande importância no meio cristão é referente ao tema de santificação do ser humano, ainda que em meio a um mundo que “jaz no maligno” (1Jo.5:19). A Bíblia admoesta claramente a andarmos separados das concupiscências da carne a fim de sermos separados como um povo escolhido e eleito do Senhor, como estrelas brilhando em meio a um mundo de perdição. Por isso, o cristão definitivamente não pode…

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